sábado, 3 de julho de 2010

Minha mãe sempre deixou explícito a sua aversão à falta de educação. Assim sendo, sempre disse-me para não ouvir conversas dos outros e/ou dar opiniões sem que de fato me conviesse. Bom, eu a desobedeci mas foi de tão ingênua maneira que não pensei sequer em evitar. Foi algo que desvaneceu dos meus sentidos auto-críticos e invadiu o inconsciente.
Estava eu, caminhando sozinha após o retorno do guarnicê de cinema, quando passei em frente a uma casa amarela, onde dois homens já calejados pelo tempo - expressões de elevado índice empírico - conversavam serenamente, quase como se entoassem um canto meio bossa nova, aliada a uma composição sobre o
tempo...um deles tranquilamente disse : ''Como passa depressa a vida...'' o outro, ávido, retrucou : ''Passa sim, e ás vezes não deixa coisa alguma!'' Senti que a conversa não acabara ali, mas eu já estava longe e nada mais pude ouvir. Havia eu, escutado algo que não deveria, contudo na mais singela das formas fez-me pensar no tempo e em como ele é efêmero e duradouro em frações equilibradas. Indago-me sobre o que já havera feito até então, os lugares que já fui e os que gostaria de estar, as pessoas que de alguma forma transmitiram informações quaisquer influenciando-me à lugar algum.
Imagino o quão egoísta foram meus pedidos em relação à vida. Sempre quis viver apenas alguns anos pois não havia me dado conta de sua importância inexpressível. Importância. Palavra fundamental em discurssos amadores, peço-lhes até perdão por tal clichê, no entanto é - neste exato momento - o mais adequado. A vida...esta é inalienável, triste é nos darmos conta tão tarde e ver esvair-se o tempo acreditando em pseudo-preceitos sobre ''o que seria realmente viver''. Eu era displincente quanto ao fato de conquistar idade avançada, e morrer com 80 anos para mim era algo inaceitável. Ficava horas imaginando qual vida levaria, pois no clímax do meu egoísmo nunca achei que possuíria utilidade.
Morrer com 27 anos era informalmente planejado visto que meus desejos não exigiam tanto e a minha mudança brusca de humor me matava a cada segundo. Objetivo ridículo eu diria. Hoje, vejo o quanto quero uma vida mais ampla e como eu aprendi a despreocupar-me com diferenças tênues entre os meus sorrisos e choros em suas mais diversas expressões...Na verdade todo tempo faz-se pouco mas ao relembrar da face daquele homem, feliz e tranquilo, rosto de quem muito aproveitara sua vitalidade sem medo de mostrar sotaque sorriso e sombra eu me esqueço que um dia hei de morrer.

O tempo é parte de mim, de você...É tão curto quanto nossas boas ações e tão intrínseco a nossa felicidade que não pode ser negligenciado. Peço desculpas pela minha falta de educação, na certeza de que sejam aceitas pelo tempo. No mais, agradeço pelo tom de bossa nova da minha noite e pelo amago de mim : A vida, o tempo, o tempo pra viver, a vida pra se deixar no tempo.

1 comentários:

Camilla disse...

Concerteza amiga temos q aproveitar o máximoo de td em nossa vida, e não se precupar com o amanhã prq nunca saberemos se amanhã estaremos vivos... e a velhice é um exemplo de vida, uma experiencia e uma grande sabedoria amei o blogger ta perfeitoo

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