Tento inutilmente desfazer todas as promessas que fizemos
juntos e sou levada por uma insistência atemporal ao desejo de cumpri-las
sozinhas. Me recordo constantemente das vezes que você e eu, ou melhor, nós –
já que nunca éramos vistos como dois pronomes – íamos a praia mais suja da
cidade com a certeza de que qualquer canto seria como o último lugar para
reiterarmos a nossa junção absoluta de entrega. Juntávamos promessas, listas,
compras e tudo o mais que coubesse dentro da sua sacola ecológica. Preservávamos
assim a natureza do nosso amor em todos os espaços. O caminho, a ida até o meio
oceânico de todos os fins de semana, sempre era para mim, como uma nova
aventura é para uma criança presa. Soltos, meus cabelos embaçavam a minha visão
e constantemente você os segurava, me ajudava a perceber que o mundo inteiro
estava em segundo plano quando eu fotograva o seu olhar de vontade em ser só
segurança, a sua necessidade em prender qualquer coisa que pudesse pular para
fora dos nós. A minha caminhada sempre se tornava o nosso enlace. Eis que em 20
ou 25 minutos o momento mais complicado sempre chegava: a ladeira. Era ela que
me fazia lembrar que existiam dificuldades antes de você, me acordava só pra me
tirar do sonho que a tua presença depositou em minha cabeça, um ponto íngreme dentro
de um coração tão cheio como o meu que havia perdido a capacidade de enxergar
qualquer coisa de ingratidão no mundo. O desconforto de saber que existia algo
mais alto do que o céu em que eu me encontrava quando em teus braços. Subíamos
tentando salvar um ao outro, tirando as coisas que mais pesavam e desnudando
nossos limites. Juntos, sempre conseguíamos. Nunca nos arrependíamos de nada
que era preciso abandonar. Porque tínhamos tudo: um ao outro.
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